‘É tudo bom demais pra ser verdade’, ela pensou. Quis beliscar-se, mas ficou com medo da dor. ‘Mas já se passaram meses’, uma voz em seu interior disse-lhe, ‘Você sabe que não é um sonho’. E acreditando na realidade surreal que vivia, sorriu. Ele existia, e aquela era sua vida.
Desajeitadamente, então, agradeceu. Ela sabia que, em algum lugar, havia alguém olhando por ela. E fosse quem fosse, definitivamente, merecia agradecimentos. Ela não poderia ter uma vida melhor.
do céu
16/12/2009
acabei de ver uma estrela cadente, meu pedido foi que ela voltasse só pra eu ter certeza que os desejos acontecem mesmo, er
e mesmo se isso for verdade, eu não teria muito o que pedir com você aqui, sabe. eu poderia ver uma estrela cadente toda noite que mesmo assim só ia pedir pra ela voltar amanhã
né ._.
um bom motivo
22/10/2009
ainda tá escuro, o sol se atrasou de novo. passou a primavera mas as flores só desabrocharam no verão. ainda está claro e a lua está demorando à aparecer
parece que o mundo se atrasou, sem motivos
sempre me atraso, mas é difícil não se atrasar ao seu lado
parece que me atrasei, com motivos
você é o melhor motivo para o meu atraso
Penso muito, escrevo pouco e falo menos ainda. Mas afogo-me em sentimentos.
Dessa vez, porém, por mais que eu tentasse, as palavras não saíam. Dizer que o amava parecia ser muito pouco, parecia ser uma síntese incompleta do que eu sentia.
Ele não é somente a pessoa que amo, ele é mais do que isso. É a melhor parte de mim, é o meu sorriso mais sincero, é a única hora boa do meu dia, é o que me faz continuar. É tudo que tenho e tudo que importa pra mim.
Mas no fim acabei não dizendo coisa alguma, e ele acabou sem saber o que sinto. Droga de timidez.
eu ficava olhando pra ela, observando coisas que nem ela mesma sabia
coisas que nem eram difíceis de enxergar
mas era só pra passar o tempo mesmo
passar o tempo todo com ela
só pra ficar olhando mesmo
foi
10/10/2009
talvez o sol pudesse ter iluminado mais o dia,
ele esqueceu de se pôr, ficou.
ele esqueceu de brilhar, tentou.
foi a noite mais longa,
onde a lua esqueceu de voltar.
Era uma tarde quente de inverno. O dia estava calmo, e eu andava pelas ruas da cidade, notando a singularidade de cada pessoa. E em meio a todos aqueles rostos tão absortos em seus pensamentos e tão indiferentes à vida, estava ele. Ele poderia ser somente mais uma parte da multidão para o resto do mundo, mas não para mim. Havia algo nele, algo que me fazia querer parar o dia para tentar decifrá-lo. Não o fiz, o dia não parou. Mas eu o vi de novo, e de novo. E aquele rosto singular transformou-se no enigma mais fantástico que conheci, transformou-se na melhor parte do meu dia. Eu sabia. Desde o momento em que o vi, sabia que havia algo de diferente. Mas não sabia que ele mudaria minha vida, que me faria voltar acreditar no amor, que me faria crer que a vida vale a pena. E por ele, ela vale a pena.
com o tempo vou percebendo
as coisas que a gente constrói
sorrisos que enxugaram lágrimas
saudades que formam rimas
e aos poucos você vai me mostrando
que amar de novo não dói
clichê
05/10/2009
sempre tento evitar o clichê. cansei de ver sempre aquelas mesmas palavras, sempre as mesmas respostas e gestos. mas não tem muito como evitar, se pensarmos bem até um abraço seria clichê por ser recíproco. talvez eu te diria mais com um abraço por eu não saber o que falar na maioria das vezes. então fico te olhando e penso em tudo o que eu poderia dizer, penso no quanto você me faz bem, mas nesse caso, isso seria clichê também, pois sei que quando fico olhando seus olhos, isso é recíproco. as vezes quando fico te olhando no meio da tarde, é só pra não te dizer nada clichê. é só pra não te dizer nada. só pra te olhar mesmo, porque você sabe que seria clichê se eu dissesse o quanto gosto de ti.
pois é, eu até tento não ser clichê, mas com você não dá.
Por muito tempo fez frio. A cidade não tinha vida. As ruas, mesmo cheias, estavam desertas. O sol havia desaparecido, e junto com ele, todas as cores, todos os detalhes. A princípio lutei, procurei uma mão amiga, um colo acolhedor. Mas não o encontrei. E derrotada, deixei que o frio tomasse conta de mim. Acabei imersa na neve da insensibilidade.
Mas o tempo passou, e o inverno se foi. E quando eu já não mais o procurava por entre as nuvens, o sol voltou a brilhar. Mesmo fraco, ele iluminava aquela tarde cinza, mostrando a vida que estava escondida debaixo de toda aquela neve. E os detalhes, por tanto tempo esquecidos, resurgiram e trouxeram a beleza das pequenas coisas à tona.
No começo, aquela claridade me atordoou. O tempo em que fiquei na escuridão fez com que me esquecesse de como era o dia. Mesmo assim, lá estava ele, derretendo a neve que por tanto tempo me protegeu das dores do mundo.
Com o dia, vieram os sentimentos. Estes, por tanto tempo congelados dentro de mim, reapareceram e trouxeram consigo sorrisos, gestos de carinho e palavras de afeto. Trouxeram uma razão para se viver, um motivo para sorrir.
E mesmo sem saber por quanto tempo aquilo duraria, sorri, deixando que minha proteção gélida escorresse e fosse embora, dando lugar à vida e suas incertezas.